Livros

eu confesso: não tenho um livro favorito

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Se nós somos os livros que lemos, como seria possível escolher um único livro para nos definir?

É isso mesmo: eu não tenho um livro favorito. #prontofalei

Não é que eu não goste de ler, pelo contrário: eu gosto – e muito. Nem significa que eu não leia o suficiente – porque eu leio. Tampouco quer dizer que nenhum livro tenha me marcado – porque na verdade, todos deixaram sua marca.

Eu acredito que nós somos o resultado de todas as nossas experiências combinadas (e acumuladas), o que obviamente inclui os livros que lemos – e também que leram para a gente, quando ainda éramos crianças. E são exatamente estes livros que também nos ajudam a “ler” o mundo. Basicamente é um ciclo virtuoso (espero eu) em loop infinito.

Seria incrível poder, um dia, responder à questão: qual o seu livro de cabeceira? Por enquanto a resposta é: minha cama não tem nem cabeceira, imagine um livro para ocupá-la definitivamente.

Aliás, é uma baita sacanagem, né? Como uma libriana alguém poderia escolher um único livro?

um experimento nada científico

Já cantava Raul Seixas que é preferível ser uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Na prática, somos todos seres em constante transformação, o que obviamente influenciará o que gostamos de ler e, principalmente, o que absorvemos desta leitura.

Recentemente eu fiz um pequeno experimento sem nenhum valor científico, apenas por curiosidade: eu reli A Droga da Obediência, de Pedro Bandeira.

A primeira vez que li este livro (que tinha uma capa bem diferente desta aí em cima) eu devia ter uns 10 ou 11 anos, e achei o máximo. É claro que eu queria ser um dos Karas, e tal. Me lembro de discutir o livro com os amigos do meu irmão mais velho (sim, eu era dessas), que me recomendavam a leitura de Pântano de Sangue, enquanto eu já estava em O Anjo da Morte (acho que foi aqui que começou o meu interesse pela Segunda Guerra Mundial).

Estes dias, relendo A Droga da Obediência, eu ainda achei que é um livro legal para despertar o gosto pela leitura em crianças, mas quase 30 anos depois, não causou impacto algum em mim. A história era a mesma, assim como seus personagens, mas eu não. E isso não é ruim, pelo contrário: é a prova de que eu amadureci, mudei, assim como o mundo também mudou.

Fiquei imaginando como os Karas teriam se saído em 2018, com internet, smartphones e afins. Crânio provavelmente seria um hacker e Chumbinho certamente não teria ido tão longe para deixar uma mensagem para os amigos ao ser sequestrado (#entendedoresentenderão). A coisa toda rolaria na deep web, mas possivelmente não seria segredo para ninguém logo que chegasse às redes sociais. O problema é que poderia ser confundido com fake news, daí já viu, né?

Seria uma história completamente diferente, porque o mundo está completamente diferente, assim como nós mesmos. Mas ainda assim seria uma boa história, graças à habilidade do autor que encantou e ainda encanta tantas gerações.

E você, já experimentou reler depois de adulto algum livro que te marcou na infância ou adolescência? Me conte nos comentários.

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Mandis

Quando eu era criança, adorava ouvir histórias. Gostava tanto que, depois que cresci, decidi que não só iria continuar ouvindo histórias, como também ajudaria a contá-las. Nas horas vagas, vivo minhas próprias histórias e reservo um tempinho para transformá-las em textos, fotos e outras amandices por aí.

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6 Comments

  1. Ludmila Santos

    Primeiro de tudo: que sintonia você reler um livro quase 30 anos depois e o nosso papo sobre a regra dos 15 anos!!!!! Rs!
    Não li A Droga da Obediência (do Pedro Bandeira, li O mistério da fábrica de livros e O primeiro amor de Laurinha), mas vou correr atrás do tempo perdido pra saber se rola uma identificação com as minhas recordações do tempo de infância (uma espécie de experimento inverso ao seu, talvez).
    Já reli várias vezes o primeiro livro que escolhi pra ler sem aquela obrigação da escola: 12 horas de terror, do Marcos Rey. Eu acho que tinha uns 10 anos quando o li pela primeira vez. E adorei!! Em todas as releituras, sempre curto, mas, claro, a sensação não é a mesma da estreia. Acho que o mais bacana é tentar resgatar os sentimentos que tinha, não somente sobre a leitura, mas sobre o que estava passando na minha vida, na minha rotina tão gostosa e despreocupada de criança (que na época, eu não sabia que era leve e tranquila), e que não volta mais, só fica uma nostalgia gostosa. De fato, adoro reler meus livros favoritos (no plural, porque também não consigo escolher apenas um… taí um exercício difícil, rs). Outro livro que li na infância e curto até hoje é As batalhas do castelo, do Domingos Pellegrini. A história se passa na Idade Média e é muuuuito bacana!! (definitivamente, passa na regra dos 15 anos). Se você não leu, recomendo!

    13 . mar . 2018
    • Mandis

      Dica anotada. Eu entendo completamente o que você diz. Mas daí começo a me sentir culpada, porque tem tantos livros que eu quero ler, e tão pouco tempo… e tem também aqueles que eu quero reler. Eu costumava reler O Incêndio de Tróia, da Marion Zimmer Bradley todo ano, nas férias. Fiz isso uns 10 anos seguidos. Acho que, se eu ler esse livro de novo, também sou capaz de me lembrar exatamente do que sentia a cada leitura. Vai ver as páginas dos livros também absorvem um pouquinho de nós.

      17 . mar . 2018
  2. Karina

    Amandita, eu também reli “A Droga da Obediência” e tive a mesma sensação. Reli também “O Escaravelho do Diabo” e “Dom Casmurro”. O primeiro, achei pior. Já sobre a obra de “Dom Casmurro” tive uma impressão muito diferente da primeira leitura: achei bem mais interessante e menos chata (e olha que ele me rendeu um troféu na maratona do livro da escola…rs). O curioso disso tudo é que o seu post me fez pensar. Sempre que me perguntam, digo que o meu livro preferido é “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Li ainda na adolescência, logo depois de “Dom Casmurro” e fiquei absolutamente fascinada. Mas só agora me dei conta que nunca mais reli. O que será que eu acharia agora? Vou arranjar um tempo para descobrir (depois te conto…rs)

    Obs: Reli também “Cem Anos de Solidão”. Que maravilha. É ainda melhor na segunda leitura! Talvez, Gabo tenha tomado o lugar de Machado como o meu escritor preferido…Beijos

    14 . mar . 2018
    • Mandis

      Oi, Ká! Também reli Dom Casmurro alguns anos depois da primeira vez (que foi obrigatória, no colegial) e foi uma experiência completamente diferente. O mesmo aconteceu com Campo Geral, do Guimarães Rosa. O que eu percebi é que a gente precisa ter uma certa maturidade para apreciar determinados livros. É muito difícil você exigir de alguém recém-entrado na adolescência que acompanhe a sagacidade de Machado de Assis ou sinta empatia por Miguilim. Mas ainda vou escrever um texto sobre isso, porque é um assunto que me tira o sossego e costuma me colocar em debates intermináveis. Beijos e obrigada!

      17 . mar . 2018
  3. Lenina

    Caracaaaas, A Droga da Obediência! Nem lembrava mais desse livro, um clássico obrigatório na infância! Eu tenho um problema de amnésia literária… se faz muito tempo que li, esqueço. Também não tenho um livro favorito, tenho vários. Que bom né? 🙂

    17 . mar . 2018
    • Mandis

      Lê, eu ri alto com seu comentário. Olha o lado bom da amnésia literária: toda vez que você reler um livro será como a primeira. Tem tanto livro que eu queria ler e sentir o mesmo que senti quando li pela primeira vez… Beijos e obrigada!

      17 . mar . 2018

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